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Silêncio e Suporte
O silêncio pesa...
Carrego o mundo em ferro e osso, meu alarde é mudo
Meu peito é um cofre de concreto, guardando tudo
Quando a vertigem me consome, eu finjo calma
Aperto os dentes contra o tempo, pra salvar a alma
Não lanço ao vento a minha âncora, nem peço trégua
O mar que ruge aqui por dentro, minha dor navega
Eu amarro o caos em cada braço, num nó cego
E sigo a dança solitária em que me entrego
Se eu me calo, é que a voz já se partiu
Se eu silencio, é pra juntar o que sobrou de mim
Eu danço com a morte, sorrindo pra enganar
Mas por dentro, um naufrágio sem lugar
Se a vida é um fardo de chumbo pra segurar
Na maré revolta, eu juro não me afogar
Teu colo é o único cais que resta pra ancorar
No teu silêncio, a minha guerra encontra paz
Eu vejo teu cuidado, um farol na escuridão
Não cura a tempestade, mas aponta a direção
Tua mão não puxa, não impõe, só me acompanha
Respeita o abismo que se abre na minha entranha
Se eu me calo, é que a voz já se partiu
Se eu silencio, é pra juntar o que sobrou de mim
Eu danço com a morte, sorrindo pra enganar
Mas por dentro, um naufrágio sem lugar
Se a vida é um fardo de chumbo pra segurar
Na maré revolta, eu juro não me afogar
Teu colo é o único cais que resta pra ancorar
No teu silêncio, a minha guerra encontra paz
Não me salve, amor, não tente me erguer
Só senta aqui comigo e me ajuda a não morrer
Teu respeito é a trégua que me faz continuar
O teu olhar honesto me impede de quebrar
Eu luto com a morte, sorrindo pra enganar
Mas por dentro, um oceano sem lugar
Se o mundo é um fardo de chumbo pra segurar
Na maré revolta, eu juro não me afogar
Teu peito é o único cais que resta pra ancorar
No teu silêncio, eu encontro o meu lugar
Se eu me calo, é pra não me partir
No teu silêncio, eu aprendo a respirar