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triste sina - amália rodrigues
mar de mágoas sem marés
onde não há sinal de qualquer porto
de lés a lés o céu é cor de cinza
e o mundo desconforto
no quadrante deste mar, que vai rasgando
no horizonte, sempre venta à minha frente
há um sonho agonizando
lentamente, tristemente
mãos e braços, para quê
e para quê, os meus cinco sentidos
se a gente não se abraça e não se vê
ambos perdidos
nau da vida que me leva
naufragando em mar de treva
com meus sonhos de menina
triste sina
pelas rochas se quebrou
e se perdeu aonde leva este sonho
depois ficou uma franja de espuma
a desfazer-se em bruma
no meu jeito de sorrir ficou vingada
a tristeza, de por ti, não ser mais nada
meu senhor de todo o sempre
sendo tudo, não és nada
mãos e braços, para quê
e para quê, os meus cinco sentidos
se a gente não se abraça e não se vê
ambos perdidos
nau da vida que me leva
naufragando em mar de treva
com meus sonhos de menina
triste sina