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Anzol de Rapunzel
Mas quando amarela o meu sol, a fumaça sobe,
Sinto que já me fisgou o anzol, e só o som que se ouve.
É o meu coração batendo em vão, não quero você em minha cama,
Mas nunca longe do meu abraço.
Paro o tempo na janela, vendo o dia esmaecer.
A cidade segue a vida, mas a minha é só você.
Seu sorriso é meu abrigo, o motivo de eu seguir.
Mas a linha que nos separa, eu não posso transpor, não dá pra ir.
Fico aqui no meu limite, só olhando o seu farol.
Essa distância me consome, é um nó na garganta.
Seu nome é a única prece que o meu peito canta.
Eu te guardo num lugar que a razão não pode entrar,
Numa foto que não fala, só pra eu poder sonhar.
Meu sentimento é honesto, mas ele é só meu, não é de mais ninguém.
Caminhando contra o vento, a solidão é minha amiga.
Refletindo sobre o"quê" da vida, essa rotina me castiga.
A gente troca um olhar, um sorriso de momento,
É o bastante pra alimentar esse meu sentimento.
Sabendo que o destino não nos quis no mesmo compasso.
Guardo as conversas fiadas, o tom da sua voz macia.
É a trilha sonora triste da minha melancolia.
Se eu pudesse só por um dia quebrar esse protocolo,
Dizer que o meu amor por você não é um simples rótulo.
Mas a cerca é invisível, a gente sabe qual é o preço.
Então aceito a verdade, a dor da minha condição.
Um amor que mora longe, só na imaginação.
Meu sol amarela e some, a fumaça me faz lembrar
Que esse sonho proibido é o que me faz respirar.
Fico com o conforto de saber que posso te amar assim, calado.
É que a razão me diz: esquece, segue o baile.
Mas o coração insiste em manter esse detalhe.
Você é a canção que toca, mas sem melodia.
Um amor que eu crio e mato todo santo dia.
E o espelho me devolve só a imagem desse engano.
Eu sei que o final tá escrito e não tem rascunho,
Que o nosso livro para aqui, na página do desejo mudo.
Mas, juro, se fosse diferente, se o universo permitisse,
Eu deixava tudo, só pra te ter no meu feitiço.
Mas o sol amarela...