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caneta sedenta,
eu sento e lapido o que sinto a 160 por hora,
imbico no grito guardado e se eu o acho: aurora. não. não.
os becos fragmentados que levam minha mente a fora
que levam minha mente embora.
resseco a nascente agora. tinta que flui sem nem esperar resposta.
peco pra quem demora. se dizem luz, mas moram nessa outrora.
atravesso a nossa barreira sonora - encaixo a prosa no baixo sem cordas
renasço no maço - dessas flores mortas
só pulo compasso - pra me sentir vivo só são os humanos - que erram as notas.
por baixo dos panos me sinto vazio.
se bem que somamos nossas histórias
pra no fim do dia se esquentar do frio.
narrativas fracassos choros e glórias
eterno retorno sempre tá contigo
- sou o demônio me esgueiro e provoco
o que tu faria se voltasse ao início? caneta sedenta.
caneta sedenta,
eu sento e lapido o que sinto a
160 por hora, 160
imbico no grito guardado e se eu
o acho: aurora.
becos fragmentados que levam
minha mente a fora - levam minha -
Eram dois postes e muito mais que uma lâmpada
Não pude contar a quantidade de sombras
Que se multiplicavam conforme os passos eram dados
Pior ainda na lombra (4x)
-
Andei olhando pro chão, reparando onde piso
Não achei centavo algum, desperdício
Queria ser mais comum, longe desse precipício
Enxergar problema algum, ser convicto de que tudo faz sentido
De frente com o relativo
Pá e umbigo, útero e cova
Sem cinismo, não existe limbo
Todo lugar, é abrigo
Andei olhando pro chão, reparando onde piso
Andei olhando pro chão...
Sempre a beira do abismo, olho fita o precipício,
enquanto o poço nos cochicha revelando desperdícios,
tempo é ouro na cidade. relicários já não brilham.
me ofereceram hóstias mas hoje eu só bebo o vinho.
me sinto infinito em ondas sonoras onde soletro essas semi-verdades
reflito ao concreto como em miragens num dia qualquer no meio da tarde
rio de janeiro cidade crescente. o caos embebeda a gente.
onda carrega milhares de mentes, plantando sementes onde tu não sente.
paranoia, a velha história. aperta o passo
pra ir embora, longe das sombras, passa reto
sem demora, engole as sobras
apaga as luzes e as pontas, já que estão todas mortas.
entre as contas e respostas prontas nessas mesas postas
amedronta ver o ser que aponta, “faça suas apostas”
se desmonta longe dessas onças e do pronto que há
o medo um do outro é pra todo mundo ficar só no seu lugar