
时间:2026-09-01
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Esta vaneira tem um cheiro de galpão,
Que reacende o meu olfato de guri.
É pau-de-fogo da memória dos fogões,
Essência bugra que me trouxe até aqui.
Esta vaneira tem um cheiro de chimarrão,
De seiva xucra, derramada no braseiro,
Quando a fumaça do angico se mistura
Com um odor de figueirilha no palheiro.
Esta vaneira tem um quê de “quero mais”,
Que reativa um paladar que já foi meu.
Lambe a rapa da panela que furou
E, no cantinho da memória, se perdeu.
Esta vaneira tem sabor de araçá,
Jabuticaba, guabiroba, araticum.
Por isso lembro os tempos buenos de piá,
Enlambuzado de pitanga e guabiju.
Esta vaneira tem um dom de reviver,
Fazer as cores que o tempo desbotou,
Sentir as formas que o tato esqueceu
E ser de novo o que eu fui… e já não sou.
Esta vaneira tem um quê de nostalgia,
Que traz de volta o romantismo do cantor,
Revigorando um coração que endureceu,
Que não queria mais ouvir falar de amor.