
时间:2026-03-31
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Quando a vida se escondeu na cova
E a morte perdeu o respeito
O mundo virou de cabeça pra baixo
O medo tomou conta do peito
Quando a vida se escondeu na cova
Pra não cair no chão sem voz
O morto foi morto de novo
E o silêncio chorou por nós
Era dia de despedida, era choro, era oração
Cemitério é casa de luto, não é palco pra opressão
Mas chegou o som do terror, sem pedir licença ou fé
Quem desviou estando de pé correu pra sobreviver
Não era briga, era aviso
Era recado pro lugar
Não falavam com palavras
Falavam pra dominar
Quando a vida se escondeu na cova
E a morte perdeu o respeito
O mundo virou de cabeça pra baixo
O medo tomou conta do peito
Quando a vida se escondeu na cova
Pra não cair no chão sem voz
O morto foi morto de novo
E o silêncio chorou por nós
Os vivos dentro da terra
Pra escapar da brutalidade
E quem já tinha partido
Não teve nem dignidade
Não era contra um corpo
Era contra a população
Era a força do medo armado
Pisando na compaixão
Dois caixões pra um só nome
Que país é esse, afinal?
Onde o luto vira cena
Num teatro do mal
Quando a vida se escondeu na cova
E a morte perdeu o respeito
O mundo virou de cabeça pra baixo
O medo tomou conta do peito
Quando a vida se escondeu na cova
Pra não cair no chão sem voz
O morto foi morto de novo
E o silêncio chorou por nós
— Cadê o Estado? Cadê!
— Cadê o limite? Sumiu!
— Quem manda no medo da rua? Quem tem fuzil!
— Mas o samba pergunta alto
Pergunta!
— Quem protege o cidadão? Quem?
— Se até no campo santo
Não se respeita o chão
Não é história pra virar lenda
Nem pra normalizar
É ferida aberta no povo
Que insiste em sangrar
O samba não fecha os olhos
Não abaixa a cabeça não
Se a vida entrou na cova
Foi pra fugir da opressão
Quando a vida se escondeu na cova
Foi pra continuar vivendo
Porque quem corre do medo
Também tá resistindo
Quando a vida se escondeu na cova
Foi pra poder contar depois
Que até no fundo da terra
Ainda somos nós