
时间:2026-09-01
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Está findando meu tempo,
A tarde encerra mais cedo.
Meu mundo ficou pequeno
E eu sou menor do que penso.
O bagual tá mais ligeiro,
O braço fraqueja às vezes.
Demoro mais do que quero,
Mas alço a perna sem medo.
Encilho o cavalo manso,
Mas boto o laço nos tentos.
Se força falta no braço,
Na coragem me sustento.
(Se lembra o tempo de quebra,
A vida volta pra trás.
Sou bagual que não se entrega,
Assim no mais.)
Nas manhãs de primavera,
Quando vou parar rodeio,
Sou menino de alma leve,
Voando sobre o pelego.
Cavalo do meu potreiro
Mete a cabeça no freio.
Encilho no parapeito,
Mas não ato nem maneio.
Se desencilha o pelego,
Cai no banco onde me sento.
Água quente de erva-buena
Pra matear em silêncio.
Neste fogo onde me aquento
Remôo as coisas que penso,
Repasso o que tenho feito
Pra ver o que mereço.
Quando chegar meu inverno,
Que me vem branqueando o cerro,
Vai me encontrar venta-aberta,
De coração estreleiro.
Mui carregado dos sonhos
Que habitam o meu peito
E que irão morar comigo
No meu novo paradeiro.