Sou brisa que vem sem pedir,
navego no peito como Pedro Cabral,
mas não busco terra, só um sinal,
equilíbrio entre o real e o espiritual
No silêncio das folhas, ouço tua fala,
tua ausência pesa mais que a mala,
me perdi no tempo, no toque, na sala,
no cheiro que se espalha de forma elevada
(Ponte)
O que é miragem, o que é mirante?
não vejo nada, muito distante.
buscando alguma direção,
ouvindo minha intuição
(Refrão)
me leva como o vento,
uma jangada em movimento,
tua dúvida é meu alento,
teu olhar, meu desalento.
Dança comigo no sol que cai,
no instante onde o agora se esvai,
sou só mais um rastro no mar,
procurando lugar pra ancorar.
(Verso)
Tem dia que penso ser Zumbi,
fugindo de tudo que tenta me ferir,
mas teu beijo me liberta da prisão,
me faz poeta, no fio da contradição.
No barulho das folhas, onde ninguém fala,
tua presença que agora faz falta,
me encontro em etapas, nas estrelas, no mapa,
me aventurando com a bússola quebrada
(Refrão)
me leva como o vento,
uma banda sem instrumentos,
tua dúvida é meu alento,
teu olhar, meu desalento.
Dança comigo no sol que cai,
no instante onde o agora se esvai,
sou só mais um rastro no mar,
procurando lugar pra ancorar.
(Final)
Tua calma é grito abafado,
um tambor batendo isolado,
na alma de quem nunca se explicou,
mas sente tudo e nunca mostrou.
Dança comigo no sol que cai,
no instante onde o agora se esvai,
sou só mais um rastro no mar,
procurando lugar pra ancorar.