Linhas Invisíveis-Diogo M. Jr.

Linhas Invisíveis

歌手:Diogo M. Jr.

时间:2025-11-09

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歌词

Ela costurava o dia com calma,

Com o olhar perdido no chão.

Entre o pano e o copo etílico,

Guardava o resto de um coração.

Tinha um dom pra agradar o mundo,

Mas nunca soube dizer “não”.

E eu, menino, achando tudo simples,

Não entendia a confusão.

Um dia o portão se fechou devagar,

E o vento levou o perfume do lar.

Disseram que era melhor assim,

Mas pra mim, foi o começo do fim.

Ela me viu na rua e chamou meu nome,

E eu corri, sem olhar pra trás.

Medo, vergonha, ou dor sem nome…

Fugi do que me dava paz.

Os anos rodaram em bares e esquinas,

E eu brindei com o mesmo veneno.

Talvez tentando entender o porquê

De repetir o mesmo desatino.

O som das guitarras era abrigo,

A noite, uma amiga cruel.

Eu ria, mas via no espelho

O mesmo olhar que me acalmava.

Um dia a vi entre luzes frias,

Sorrindo pra outros, distante de mim.

Eu quis falar, dizer o que sentia,

Mas o tempo me prendeu assim.

O destino, sutil, esperou demais —

Dezembro guardou o adeus que não dei.

Trabalhei, calei, e segui,

Mas dentro, alguma coisa chorei.

Janeiro chegou com o som do hospital,

E a vida parou no corredor.

Toquei sua mão — era frágil, final —

E o silêncio foi tudo o que restou.

O pano da alma se rasgou sem aviso,

E o fio da história, enfim, parou.

Mas o tempo costura à sua maneira —

Em linhas que só o coração guardou.

Um dia, meu filho me disse:

“Eu lembro dela, consertava roupa.”

Fiquei mudo diante do inexplicável,

Como se suas almas já se reconhecessem.

E entendi que o amor não morre,

Apenas muda de lugar.

As linhas invisíveis que ela deixou

Ainda sabem me costurar.

“As mãos que costuram o mundo não descansam, só mudam de corpo.”

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