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Domingo No Sitio - Juliano Holanda/Benjamim Taubkin & Tatiana Parra
Depois que a manhã se desdobra
Pra chover
Vem tanta nuvem da serra pra cá
Onde o vento se joga
Então já depois de amanhã
Talvez
Seja tarde demais pra chegar
Mas se der
Não demora
Eu
No domingo que vem vou lá
Nem que seja bem tarde
Mesmo sendo madrugada até
Vale á pena se deitar
No leito do rio e deixar se levar
Depois
Esquecer do caminho de casa
Pra jogar toda tarde fora
Sem ter hora pra retornar
Sem ter hoje nem ter amanhã
Pra chorar pra sorrir
Pra dormir pra sonhar
Pra chegar pra sair
Pra se perder no silêncio do olhar
Lá
Onde o tempo se escora
É que a tarde namora
É que o vento se enrosca pra depois soltar
Lá no alto mais alto que há
Onde quase não dá pra chegar
Onde a folha se larga
E desliza na brisa
De leve
E vai caindo sem vertigem
Como luva na paisagem
Lentamente
Num redemoinho feito um carrossel
Do chão pro céu
Do céu pro chão
Do chão pro céu de madrugada
Numa calma disparada
Onde tudo quer passar
Tranqüilo sem correr sequer perigo qualquer
A qualquer hora
Lá vou dizer eu encontrei a paz
E por isso aonde quer que vá
Deixo a brisa me guiar se for
A mesma brisa
Aquela mesma
Que soprava
Serra dentro
Vendo a paisagem deslizar
Sem pressa
Sem pressa
Na sombra
Saudade sincera
Enquanto a vida se derrama no ar
Num domingo qualquer dessas estelares semanas
A mansidão é tanta
Que assimila planta e se recria em
Dia e noite só
Em noite e dia que amanheceria
Sempre e novamente em cada pomar
E depois de cada manhã
Sopraria a brisa de lá
Pra trazer outra sombra outra
Luz outra serra pra cá