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Sou o grito do quero-quero
No alto de uma coxilha.
Sou herança das batalhas
Da epopeia farroupilha.
Sou rangido de carreta
Atravessando picada.
Sou o próprio carreteiro:
Êra, boi! Êra, boiada!
Êra, êra, boi Brasino!
Êra, êra, boi Pitanga!
Boi Fumaça, Jaguaré,
Olha a canga!
Sou velha cambona preta
Dependurada nos tento.
Sou o chapéu do domador,
Tapeado de contra o vento.
Sou rancho de pau-a-pique
À beira de uma estrada,
Onde descansa o tropeiro
Pra seguir sua jornada.
Êra, êra, boi Brasino!
Êra, êra, boi Pitanga!
Boi Fumaça, Jaguaré,
Olha a canga!
Sou a cor verde do pampa
Nas manhãs de primavera.
Sou cacimba de água pura
Nos fundos de uma tapera.
Sou lua, sou céu, sou terra,
Sou planta que alguém plantou.
Sou a própria natureza
Que o Patrão Velho criou.
Êra, êra, boi Brasino!
Êra, êra, boi Pitanga!
Boi Fumaça, Jaguaré,
Olha a canga!
Êra, boi!
Êra, boi! Sai daí, cusco!
Eita cusco que só atrapalha!
Sai daí, cachorro! Êra, boi!
Jaguaré, boi Fumaça, Jaguaré!
Êra, boi! Jaguaré! Êra, boi...