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Deus, eu sei que o Senhor me vê
Mas às vezes eu juro que parece que esqueceu de mim
Eu deito e peço um sinal qualquer
E acordo com o mesmo vazio grudado em mim
Todo mundo diz que o Senhor é amor
Mas eu só sinto esse buraco no peito, esse torpor
Eu abraço o travesseiro como se fosse alguém
E ainda acordo com a certeza de que não sou de ninguém
Eu já tentei acreditar que tem um plano maior
Mas tem dia que dói tanto que eu só penso: “pra quê esse suor?”
Se o Senhor sabe tudo o que passa aqui no meu coração
Por que essa necessidade de amor se eu só encontro solidão?
Então Deus, se for pra eu ser sozinho
Tira de mim essa fome de carinho
Arranca do peito essa vontade de ser amado
Porque esse desejo sem resposta já me deixa destroçado
E se eu for uma falha no meio da Sua criação
Um erro de código, um ruído na canção
Se eu for um pecado contra a Sua existência
Então me explica por que ainda me deu essa consciência
Eu vejo gente falando de mil bênçãos por aí
Deus que junta casal, que abre porta, que cura cicatriz
E eu só queria um abraço que não fosse obrigação
Um olhar que dissesse “fica”, sem segunda intenção
Eu não tô pedindo riqueza, nem milagre de novela
Eu só queria, por um minuto, não me sentir tabela
De comparação, de “você já tem idade pra…”
Mas ninguém sabe o peso que é deitar e pensar: “ninguém vai ficar”
Se o Senhor desenhou cada linha do meu ser
Por que é que eu me sinto tão fora de lugar pra viver?
Se havia um propósito nesse jeito intenso e sem direção
Por que tudo que eu toco parece virar motivo de frustração?
Então Deus, se for pra eu ser sozinho
Tira de mim essa fome de carinho
Arranca do peito essa vontade de ser amado
Porque esse desejo sem resposta já me deixa destroçado
E se eu for uma falha no meio da Sua criação
Um erro de código, um ruído na canção
Se eu for um pecado contra a Sua existência
Então por que ainda me deixa acordar com essa carência?
Eu não quero Te desafiar, eu só tô cansado de doer
De ouvir que “tudo tem tempo” enquanto o meu parece se perder
Eu não quero Te acusar, eu só não sei mais como orar
Se é pra continuar assim, me ensina ao menos a não esperar
Porque essa espera mata devagar, sem sangue, sem cena
É um tipo de luto vivo, uma alma em quarentena
E se o Senhor me fez assim, tão capaz de sentir
Por que a única sensação constante é vontade de fugir?
Se eu tô entendendo errado, por favor, me corrija
Mas não em sermão pronto, em frase de cartilha
Fala comigo de um jeito que eu consiga suportar
Porque hoje, Deus, eu só sei chorar
Então Deus, se for pra eu ser sozinho
Não me deixe mendigar migalha de carinho
Se a minha estrada é andar sem ser encontrado
Ao menos cura essa ânsia de ser visto e ser tocado
E se eu não for falha, nem pecado, nem engano
Me mostra que existe um lugar pra mim nesse plano
Porque eu tô à beira de achar que eu sou nada, só ausência
E eu preciso acreditar que eu não sou afronta à Sua existência