Eu tô mais pelo dinheiro
Eu mudei um pouco, confesso
Prestatividade uma hora dá estresse
E quando tu precisa de quem precisou de ti
Muda até o DDD do nada desaparece
Tempo passageiro, negatividade cresce
Tô na atividade, ouvi sim quem desmerece
Falar bosta bonito, mano é apenas fezes
Pra entender meu mundo, estude todas minhas refs
Ouvi boatos de que venderão os parques,
Porque é Gachiakuta, eles separam em lugares
O que pra nós é superfície, chamam de abismo
Mas esquecem que se aqui tá lixo, eles fizeram parte disso
É correria pra viver, pra se manter vivo
É alegria pra manter mesmo sem incentivo
Nossa cultura rejeitada, eles são seletivos
Pra nos prender, nos manter, eles são bem ativos
Adversidades, versam com a gente
Todo dia, uma nova punch pra afetar a mente
Por isso eu retorno naquilo que o peito sente
Eu não reservei um segundo para gente
Ai eu penso no tempo que eu não tenho
Porque tenho que tá enriquecendo alguém
Ou tentando sobreviver
Enquanto eles me pedem pra cuidar desse planeta
Pra fazer merda e a culpa sobre cai em você
Eae, você percebe que se tu tirar um lazer
Você vai se culpar por não tá sendo produtivo
A tática é essa, te matar por remorso
E a culpa é tu sentir mal por ainda está vivo
Matam os seus sonhos, fabricam desejos
Dividem suas famílias, adestram pro governo
Te vendem mudanças, atalhos pro mesmo ponto
Morrerá nesse ciclo de velhice ou de ficar tonto
Já falei do veneno que eles nós fazem engolir
E porque as redes somente funcionam com seu ódio
Ou porque a favela vencer e um jovem negro
Afogado em luxúria vivendo no falso pódio
Enquanto isso o racismo vai seguir matando
Enquanto isso o favelado vai seguir com fome
Enquanto isso histórias vão se repetindo
Enquanto o rap vai continuar adoecendo
Enquanto alguns vão se agonizar por não ter rimas
Pois causa sociais estão desmoralizadas
Os reclamões, mimezentos sem noções
Nem parece que tem vidas que tão sendo arrancadas
Meus problemas de pais e filhos é bem mais Renato Russo
Minha sorte na tristeza, eu não ter roleta russa
Se tu souber como somos selvagens, preferiria os ursos
Verdade que desce seco ou que bate na tua fuça?
Tenho sérios problemas em poder desabafar
Tenho sérios motivos pra ainda está rimando
Queria tanto entrar na cena, até o dia que entrei
E entendi porque tem tanta gente se aposentando
Hoje eu vou dormir cansado e confuso,
Em sonhos vou rejeitar todos os intrusos
Eu falo no luso, eu caio no raso ao tentar ser profundo
Mas dentro da minha alma, vou ver significados
Que disperse pecados e que mostre o meu uso
No mundo materialista, só existe esse percurso...
Deus, eu acho que eu falei demais, mas
Ao mesmo tempo acho que não falei nada
No fim da noite ainda preciso de um abraço
É... pelo visto, não consegui mudar em nada