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Eu rego uma crença nos poros da vossa pele
Agora a voz que vos fere tem
A mesma textura daquilo que entope os canos
A aspereza e a quentura das parede descascando
Essa voz que vos fere tem
Eu rego uma crença nos poros da vossa pele
Agora a voz que vos fere tem
O limo alojado no rejunte descansando
As frestas entre os tacos com a poeira acumulando
Essa voz que vos fere tem
Tudo que freia, que trava ou agarra, emaranha na garganta, cola, entranha, gruda aí
Eu rego uma crença nos ouvintes dessa plebe
Agora a voz que vos fere tem
A crosta de comida desatenta na panela
A tinta da bebida viciada na caneca
Essa voz que vos fere tem
Eu rego uma crença nos ouvintes dessa plebe
Agora a voz que vos fere tem
A trama mal cheirosa das roupas lá no cesto
As manchas dos lençóis aguardando um recomeço
Essa voz que voz fere tem
Tudo que freia, que trava ou agarra, emaranha na garganta, cola, entranha, gruda aí