Poeira sobe, favela respira guerra
Criança cresce no caos, coração de pedra
Chão rachado, esperança enterrada
Olho no céu, mas só vejo bala traçada
O morro canta o hino da sobrevivência
Cada esquina um código, não tem inocência
Dedo no gatilho, medo no sorriso
No Rio de Janeiro, o perigo é indiviso
Fatos do asfalto, verdade no meu som
Rio grita alto, a vida é um ciclone
Fatos do asfalto, ecoa no pulmão
Cada rima uma bala, carregada de razão
No beco escuro, as histórias se cruzam
Dinheiro sujo, vidas que se recusam
Relógio marca o tempo, mas ninguém espera
Fim da linha é sentença, sem primavera
No calor do asfalto, o sangue é corrente
Coração gelado, mente resistente
Os olhos veem o mundo por grades de ferro
Na selva de concreto, só o forte é eterno
Choro da mãe no portão, nunca se apaga
Foto no altar, memória que naufraga
Mas o povo é fênix, renasce da cinza
No samba da luta, a dor nunca finda