Faz tempo que eu madrugo, versos quase sem querer
Pra alma recordar seu jeito de não te esquecer,
E trazer para o redor do fogo mais lembranças tuas,
Dessas que a gente, depois das luas,
Cevava um mate pra amanhecer.
Parece até que o mesmo mate esqueceu seu gosto
Depois que uma velha saudade repontou teu rosto,
E um jeito que trazia o brilho de olhar moreno
Chegou povoando meus sonhos pequenos,
Que tinham cismas de serem teus.
Ah, minha flor pequena,
Dessas que nascem pelos rincões,
Trazendo a graça das corticeiras,
Enfeita a tarde por ser tão bela.
Deixa meu sonho acordar o teu,
E o meu silêncio te adormecer.
Quando a saudade vier me ver,
Com teu sorriso na minha janela.
E eu que andei tão distante me encontrei em mim,
Sem mesmo perceber que a vida pode ser assim,
Ter a graça de uma flor bonita, dessas corticeiras,
E, ao mesmo tempo, ser por inteira
Aquilo tudo que já sonhou.
Sempre que meus sonhos tantos saem por aí
E levam junto minha alma pra perto de ti,
Eu guardo bem os meus silêncios,
Porque eles sabem que são só meus,
E quase já não cabem na casa grande do coração.
Ah, minha flor pequena,
Que traz guardada sonhos demais,
Deixa que a alma mostre teu rumo,
Que anda hoje perto do meu.
Traz teu sorriso de flor vermelha
E aquele brilho do teu olhar,
Toda saudade pra se matar,
Que o dia ainda não anoiteceu.
Faz tempo que eu madrugo, versos quase sem querer.