
时间:2026-09-01
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Meu canto não conhece desencanto
Vem peleando há tanto tempo,
Mas não cansa de pelear.
Hoje já se ouve a ressonância
Dessa voz de peão de estância
Conquistando seu lugar.
Meu canto, se quiser, eu te ofereço,
Pois ninguém me bota preço
Quando não quero cantar.
Meu canto, companheiro, não se iluda,
É como um cavalo de muda
Que cansou de cabrestear.
Meu canto tem cheiro de terra e pampa,
É um andejo que se acampa,
Tendo o mundo por galpão.
Grita pra que o mundo inteiro ouça,
É raiz de muita força
Rebrotando deste chão.
Meu canto não é mágoa, não é pranto,
Nem passado, nem futuro,
Que o presente é mais verdade.
Hoje o amanhã não me fascina,
Tenho o ontem que me ensina,
Mas não vivo de saudade.
Canto nesta terra onde me planto,
Mas não pise no meu poncho
Que eu empaco e me boleio.
Canto pra pedir mais igualdade,
Quem não gosta da verdade
Que se aparte do rodeio.
Meu canto tem cheiro de terra e pampa,
É um andejo que se acampa,
Tendo o mundo por galpão.
Grita pra que o mundo inteiro ouça,
É raiz de muita força
Rebrotando deste chão.
Canto, e minha voz, quando levanto,
Não traz ódio nem maldade,
Coisas que não sei sentir.
Não que seja mais que qualquer outro,
Nem mais taura, nem mais potro,
Se disser, eu vou mentir.
Peço pra quem julga e dá conceito
Que esqueça o preconceito
E me aceite como sou.
Manso como água de cacimba,
Mas palanque que não cimbra,
Porque o tempo enraizou.
Meu canto tem cheiro de terra e pampa,
É um andejo que se acampa,
Tendo o mundo por galpão.
Grita pra que o mundo inteiro ouça,
É raiz de muita força
Rebrotando deste chão.