Gotas de chuva descem no vidro
Balançando a luz âmbar da cidade
Só o ponteiro parado mede
A distância entre nós dois
Sentimentos sem voz se escondem
Um noturno à beira da janela
Mais suave que o próprio silêncio
Caem fundo dentro do peito
Palavras não enviadas
Ainda acesas na ponta dos dedos
Como se seguissem o coração
A chuva começa a sussurrar
Gotas de chuva, pianissimo
Uma melodia que invade o peito
Menor que um sussurro
Mas que nunca desaparece
Saltam, uma a uma, para a noite no vidro
“I miss you” tocado em segredo
Por trás do ruído da cidade
No asfalto molhado se espalha
O vermelho borrado das lanternas
Sombras sob o mesmo guarda-chuva
As poças ainda desenham nós
Memórias sem destino algum
Perdidas nas vielas da noite
Cada vez que tento chamar de volta
Um rainstick soa bem de leve
Mesmo quando a hesitação se dissolve
As palavras ainda estão frias
Só o forte do meu peito
Percute a noite sem parar
Gotas de chuva, pianissimo
Arpejos tocando meus dedos
Os dias em que rimos juntos
Tremem em cores de arco-íris
Desejos que nunca disse
Desenho na água da janela
Que cheguem mais uma vez
Até a margem do teu coração
Sobre as teclas, acordes se soltam
Na tela embaçada, digito teu nome
O silêncio se quebra, o relógio anda
A luz do “enviado” marca
A noite molhada
Gotas de chuva, pianissimo
Um crescendo chamando o amanhecer
A melodia serena
Muda a cor do céu
O futuro reflete nos olhos
Move as cortinas da manhã
Uma canção que não se cala
O rastro quente que ficou