Elle pegou a sua arma e subiu o monte do jaraguá
Nos seus olhos tinha fogo, ódio e algumas certezas
Por hora era só planos e nenhuma escolha
Elle caminha com a sua arma para encontrar-se com a sorte
Na rua enquanto respirava essa poluição se depara com o seu irmão
Vendedor de drogas para pagar o leite das crianças e o restante da inflação
Discutir nunca adiantou pois alguém tem que correr a frente do dragão
Elle caminha com a sua arma para encontrar-se com a sua indecisão
Subindo a trilha conheceu João apaixonado pela vida e cego de um olho
João não tem emprego fixo e trabalha de guia para sustentar seus netos
Brincando o papo era justo só se for para quem encontra o pote de ouro
Elle caminha com a sua arma para encontrar-se com a injustiça social
Elle tropeça numa pequena pedra e fratura o seu joelho
Pede a deus forças para se levantar e continuar com o seu objetivo
Ouve ao longe o canto de um Pavó adoçando a beleza da vida
Elle caminha com a sua arma para encontrar-se com a sua fé mística
Uma hora e meia depois suportando dor e moscas famintas por sangue
Chega ao topo, quase que dá para encostar nas nuvens do céu
Senta no chão de grama entre os dedos dos pés, pode ouvir
O seu silencio de encontro com todo o peso de sua alma
Elle pergunta aos céus porque o nosso fascínio por destruição
Que qualidade teria a mentira se não roubar inocência e a paixão
Quanto já teríamos criado para unificar com toda essa incrível criação
Elle caminha com a sua arma para encontra-se com a sua razão
Elle diz: A vida que me aguarde então...
Elle caminha com a sua arma para encontra-se com quem ainda tem
um coração...