Mais uma mãe chora, sangue no chão
Filho tombado, sem arma na mão
Polícia joga dado, vida no azar
Trabalhador marcado, sem chance de escapar
Chão da favela quente, eco de dor
Beco estreito vira palco de terror
Olho na mira, futuro apagado
Quem deveria salvar, virou culpado
Choro na favela, quem vai responder?
Vida ceifada, quem vai devolver?
Tiros no escuro, ninguém quer saber
Rio de Janeiro, quem vai proteger?
Caveirão desfila, desfile de luto
Mídia finge nada, silêncio absoluto
Mente pro povo, troca verdade por show
Mas o morro não dorme, já perdeu o sono há um bom tempo
Criança brinca, mas brinca de se esconder
Não de pique-esconde, mas de bala a correr
Cicatriz no peito, a memória é muralha
Na selva de pedra, o grito nunca falha
Quantas vidas viram número na TV?
Quantos sonhos enterrados sem porquê?