Verde palha no milho ele chegou
Rei de Ketu da mata, irmão de Ogum
Pele ébano da África vodum
Jequitibá de mim boiadeiro
Vou tocar esse rum pra te chamar
Agueré no lé soa primeiro
Xirê gira o encanto vem balançar
Desce pra encantar o seu terreiro
Tradição que negro reinventou
Resistiu no calor do tumbeiro
Flecha exata na mata É caçador
Presidente, no mato, guerrilheiro
Quem duvida não sabe que ele
É entidade dádiva, encantador
Quem dançar pra Odé, Okê Arô
Vale mais do que qualquer dinheiro
Filho do infinito mar azul
Estrela sonora de Olorum
Coração de Oxum, pai de Logum
Desce pra encantar o seu terreiro
Arcos e arcas por se fazer
Arcos de ovo e de serpente
Portanto, arcos de oficina
E certa alegria que mantém esticada a corda do horizonte
O ofá é um seio, um sorriso, uma fímbria
A península que se inclui no acaso de um golpe de vista
Agueré contínuo, Monjola infinito, Avamunha incontornável
Faraimorá: “o corpo a abraçar outros corpos”, de novo, luzindo, à medida que atrapalha a ideia que divide
O ofá é a tentativa de se modelar a espera quando o gesto abriga o tempo