O domingo se espreguiça na nossa varanda
O relógio da sala parou só pra nos ver
Nessa nossa preguiça, amor, quem manda
É a vontade imensa de nada fazer
O sol desenha listras no chão de madeira
E a poeira dança na luz da manhã
A gente inventa a nossa própria fronteira
Longe do mundo, debaixo da lã
Não atende o telefone, deixa tocar
Hoje o mundo lá fora pode esperar
Tenho um universo inteiro pra explorar
Nas sardas do teu rosto, no teu respirar
Balança a rede, balança a gente
Num vai e vem que cura qualquer dor
O amor da gente é tão diferente
Grita pro mundo, mas sussurra o amor
É devagar, é devagar
No compasso que a gente quiser inventar
Teu pé encosta no meu, num choque térmico bom
A pele arrepia de familiaridade
A tua risada virou o meu som
Estar aqui agora é a única verdade
Li três páginas do livro e já me perdi
Na curva do teu braço que virou meu travesseiro
Não sei onde você termina e eu comecei aqui
Somos um nó só, de janeiro a janeiro
Balança a rede, balança a gente
Num vai e vem que cura qualquer dor
O amor da gente é tão diferente
Grita pro mundo, mas sussurra o amor
É devagar, é devagar
No compasso que a gente quiser inventar
Lá fora a cidade corre com pressa de chegar
Gente correndo atrás do que o dinheiro não traz
Mas a nossa riqueza é saber ficar
Nesse balanço simples que nos satisfaz
Não troco esse instante por nada real
O nosso tédio é a coisa mais especial
Balança a rede, balança a gente
Num vai e vem que cura qualquer dor
O amor da gente é tão diferente
Grita pro mundo, mas sussurra o amor
Fica aqui.
Só mais um pouco.
Balança.
É devagar.