não vou salvar o mundo
mas posso cozinhar um refúgio
escrevo feridas em versos quebrados
canto a raiva que sobra em pedaços
se não há comunidade, invento labirintos
se não há futuro, sopro escombros
rachaduras são abismos e caminhos
luz escapa em fagulhas que ardem
palavras se atropelam, sangue mistura tinta
o chão se despedaça sob meus pés
fissura
esperança amarga, fragmentos de mundo
fissura
cada pedaço é labirinto
fissura
o tempo respira pesado, denso
cozinha, versos, olhos atentos
memórias desmoronam
quem cai se arrasta, quem observa enlouquece
quem reconstrói tropeça em sombras
as rachaduras brilham, cortam
o futuro se costura entre fragmentos