
时间:2025-07-23
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Eles olham torto, com dedo apontado
Mas nunca pisaram no chão molhado
Julgam o som, o estilo e a cor
Sem saber que aqui se planta amor
Chamam de bagunça o nosso alívio
Criticam a dança, ignoram o motivo
Mas quem desce no passinho carrega história
Favela não vive de migalha, vive de glória
Confundem pobreza com falta de valor
Mas o respeito aqui tem outro sabor
É no bom dia sincero, na marmita dividida
É na fé que não quebra, no milagre da vida
Querem esconder a beleza do morro
Mas ela brilha — no sorriso, no socorro
É olhar de mãe, é abraço de irmão
É laje que acolhe, é chão com coração
A ilusão tá na tela, nas palavras frias
Na vitrine da mídia que só mostra os dias
De correria sem luz, de erro, de dor
E esquecem que aqui também nasce flor
Favela resiste com força e razão
Não é estatística — é revolução
Cada criança que corre entre os becos
É futuro que grita, é sonho sem freio
Eles vestem terno e julgam sem saber
Mas não conhecem o que é sobreviver
Aqui não tem palco, tem vida encenada
Com verso na boca e alma engajada
Não é só concreto, é lar e esperança
Favela é raiz que nunca balança
A visão deles é curta, o coração fechado
Mas nós segue firme, do lado abençoado