O tempo escorre, feito lágrima no chão,
Um rio que me leva sem permissão.
O presente é a gota que cai na corrente,
Se vai num suspiro, tão breve e urgente.
O passado se esconde nas pedras do fundo,
Memórias submersas num eco profundo.
O futuro é um vulto na névoa distante,
Um sonho disperso no fluxo constante.
Se eu pular, será que vou encontrar,
O que ficou pra trás ou o que está por chegar?
Ou será que o rio só quer me ensinar,
Que o tempo é o agora, e eu preciso escutar?
O passado é um quadro que não posso pintar,
O futuro é um livro que ninguém vai folhear.
E o presente é tudo que posso sentir,
Um instante eterno que insiste em fugir.
Heráclito falou, nunca o mesmo rio,
Sou parte das águas, mas me desafio.
O homem que observa nunca será igual,
E o rio que flui é sempre novo, afinal.
Será que o tempo tem começo e fim?
Ou ele é um ciclo que vive em mim?
Os astros giram, o universo expande,
E eu sou só poeira que o tempo comanda!?
O tempo não é linha, é rede de fios,
Tecido invisível, moldando os desafios.
Cada escolha, um nó; cada passo, um laço,
E o rio do tempo dança no meu compasso.
O passado é um eco que não posso alcançar,
O futuro é promessa que insiste em escapar.
Mas o presente é chama que me mantém aqui,
Um breve lampejo, meu motivo pra existir.
E se o rio fosse cíclico, voltando pra mim?
Será que eu entenderia onde tudo tem fim?
Ou será que o tempo é só ilusão,
Uma forma que damos à nossa percepção?
O tempo me cerca, mas nunca me prende,
É o barco que não afunda, mas que sempre transcende.
Remo com força, tentando entender,
Que o rio não pergunta, só me faz viver.
O tempo não espera, ele segue em silêncio,
Enquanto eu conto segundos num gesto tão tenso.
Einstein já disse: o tempo é relativo,
Mas na minha mente ele é tão incisivo.
Buracos de minhoca, teoria ou verdade?
Será que o passado guarda minha identidade?
O futuro, será que já está escrito?
Ou sou o autor de um verso infinito?
Cada segundo é uma folha que cai,
Vento que sopra não volta jamais!
No rio do tempo, sou peixe ou corrente?
Sou parte do todo ou só um elo ausente?
O passado é um eco que não posso alcançar,
O futuro é promessa que insiste em escapar.
O presente é chama que me mantém aqui,
Um breve lampejo, meu motivo pra existir.
Então eu mergulho, não pra mudar,
Mas pra sentir as águas a me transformar.
O rio do tempo não me deixa voltar,
Mas me dá o presente, pra eu nele morar.