Não pedi, mas recebi
Não fugi, só resisti
Hoje entendo o que atravessa
E deixo que a arte confesse
Sou canal aberto, sem filtro, sem véu
O que vem de cima, o que vem do céu
O que vem do fundo, do breu, da dor
Tudo passa por mim, vira som, vira cor
Não sou só corpo, sou ponte, sou traço
Entre o invisível e o espaço
Cada visão, cada presença
Vira verso, vira sentença
Canal aberto, alma exposta
Mas cada ferida virou resposta
O que me atravessa, eu transformo em som
Porque o dom também é dominação
Já fui invadido, já fui quebrado
Mas hoje sou verbo, sou ritual encarnado
Não nego o peso, não fujo do chamado
Porque quem é canal nunca tá isolado
Se você sente, você sabe
Que o dom não vem com manual ou chave
Mas vem com missão, com entrega, com dor
E com a força de transformar terror em amor
Canal aberto, alma exposta
Mas cada ferida virou resposta
E se vierem de novo, que venham com fé
Porque agora eu sei quem é quem e quem é