Saque Ao Museu - Batista/Bando/Carlos Gayotto
Se a verdade é mesmo nua
E a mentira alegoria
A arte veste tons de pele
De matéria fina e fria
Estão olhando para a foto
De tudo o que passou
É como o renascimento
Na gruta de Lascaux
Monet está desempregado
Impressionado com o mundo
Ele olha para o prado
Como um míope vagabundo
Como quem chora o fracasso
Meus olhos sangram Dali
Estou na frente de picasso
E é como não estar ali
E eu que nunca serei
Fadado ao esquecimento
Aguardo conhecer o rei
Que fez da arte um passatempo
Nos museus de todo lugar
Chegam turistas a Van Gogh
Mas os fauvistas avant garde
Valem menos do que pó
O Mondrian foge da tela
Jesus Soto também viu
A Broadway da Venezuela
Com a Gego por um fio
Rembrandt fez autorretrato
E se desenha desenhando
A imortalidade é mesmo um fato
Para um pequeno bando
Se os insultos são pra calar
Pollock fala mas não diz
Que nem o munch e o basquiat
Gritavam mudos a matisse
E eu que nunca serei
Fadado ao esquecimento
Aguardo conhecer o rei
Que fez da arte um passatempo
E a fita tipo óculos
É o infinito para a Lygia
Já que levaram quatro séculos
Para por bigode em Monalisa
E duchamp no urinol
Perguntou o que o goeldi faz
Quando virou se para o sol
Deixando as sombras para trás
Parti a testa na beirada
De uma moldura expressionista
E com a cabeça liberada
Tudo era neoconcretista
A cor de Paul Klee um dia
A madi jogava fora
O oiticica deixou virar mania
Ele a vestiu e a levou embora
E eu que nunca serei
Fadado ao esquecimento
Aguardo conhecer o rei
Que fez da arte um passatempo
Falei pro Cildo Meireles
O tempo é do pensamento
E ele disse Filho não ouça o que vem deles
Pra mim só existe o tempo