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Tenho o rosto do homem que aprendeu a se calar
Mas nos olhos, o menino ainda grita pra escapar
Carrego o medo como herança e medalha
E o velho em mim já cansou da batalha
Toda vez que a vida acende,
Eu apago o que arde em mim
É o reflexo do passado
Me ensinando a cair assim
Sou o erro que tento consertar
O eco do amor que nunca ouvi
O velho já morreu, o menino não quer ficar
E o homem só tenta existir...
Me saboto com a pressa, com o vício e com o não
Aponto o dedo pro espelho — sou o réu e a punição
Tantas vozes me chamando pra voltar pro mesmo chão
Mas algo dentro pede paz, mesmo em destruição
Toda vez que o sol me toca,
Eu procuro uma nuvem pra fugir
É mais fácil sentir culpa
Do que me permitir sorrir
Sou o erro que tento consertar
O eco do amor que nunca ouvi
O velho já morreu, o menino não quer ficar
E o homem só tenta existir...
Entre o medo e o perdão
Eu me perco no que sobrou de mim
O velho dorme no esquecimento
E o menino ainda chora aqui...
Sou o erro que tento abraçar
A sombra que aprendeu a ouvir
O velho enfim se despediu, o menino quis ficar
E o homem aprendeu... a sentir.