Ofereço sentimentos desiguais,
Sempre em débito com seus sinais,
Crio novas formas de perguntar,
Decreto amores sem amar.
Viciado em me doar demais,
o que se faz, não é o que te traz,
Afogo-me em dedicação,
Mas isso nunca será derrota, não.
Conheço-me como não sou,
Escondo a dádiva de ser eu mesmo,
Minha falsa imagem constrói abismos,
caminhos infinitos, sozinhos.
Por que tememos a inocência?
A resposta talvez no pecado de sentir,
Será que dá prazer renegar a essência,
Para se contaminar e mentir?
Curo suas dores, me compartilho,
Cresço e viajo por tudo que foi dito,
Me entretenho nas palavras ocultas,
que confessavam as melhores fugas
Não podemos sufocar as cores,
Deformando feições de carinho,
Sinto-me frágil, inseguro em mostrar,
Coisas tão simples que perturbam, devagar.
Por que tememos a inocência?
A resposta talvez no pecado de sentir,
Será que dá prazer renegar a essência,
Para se contaminar e mentir?