
时间:2025-01-31
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É nos galpões do meu pago
Onde repousam lombilhos
Que os tentos dos cabrestilhos
Se apresilham c’oas auroras.
Pra abraçar as garroneiras
Junto as ânsias que embuçalo,
Pois quando saio a cavalo
Mais um verso calça espora.
Meus pingos sabem da lida,
Um a um quebrei do cacho
E mordendo o barbicacho
Redemonei-os assim.
Para depois retrata-los
Na moldura dos meus potros,
Pois não é pra agradar os outros.
Meus versos falam por mim.
Sempre que saio a cavalo
Volto de verso amansado
De cola e bocal atado
Sem retovo campo fora.
Mesmo que um potro veiaco
Que se arrucina com calma,
O verso que habita a alma
Igual a mim calça espora.
Mais um verso calça espora
Nestes fundos de invernada,
Quando se forma a potrada
Num mangueirão entaipado.
São pingos pedindo arreios
Pra mais um dia de lida
E os sonhos ganham guarida
Na boca de um queixo atado.
São nos mates madrugueiro
Que se lavam com o sereno,
Nos baios de fumo bueno
Das fumacentas tragueadas.
Guitarra e verso se encontram
Pra moldura destes quadros
Onde essas coisas do pago
Trazem esporas calçadas.