
时间:2025-12-01
在手机上保存,获得更好体验
A tropa vinha estendida
Pastando no corredor,
Eu empurrava culatra
E também fazia fiador.
Num bagual gordo e delgado,
Arisco e corcoveador,
Que se assustava da estaca
E da sombra do maneador.
É brabo a vida de um taura
Que só trabalha de peão.
Nisso, uma lebre dispara
Debaixo de um macegão.
Meu pingo só deu um coice,
Escondendo a cara nas mãos,
Saiu sacudindo o toso
E cravou o focinho no chão.
Tentei levantar no freio,
Mas era tarde demais.
Eu vi uma poeira fina
Formando nuvens para trás.
Berrando, se foi a cerca
E cruzou pro lado de lá —
Parecia uma tormenta
Cruzando em Maçambará.
Se enganchava nas esporas
Sobre a volta do pescoço,
Cortando couro com pêlo
E tirando lascas de osso.
Naquele inferno danado
Bombiei pro meu cebolão,
Regulava quatro e pico
Numa tarde de verão.
Tentei levantar no freio,
Mas era tarde demais.
Eu vi uma poeira fina
Formando nuvens para trás.
Berrando, se foi a cerca
E cruzou pro lado de lá —
Parecia uma tormenta
Cruzando em Maçambará.
Senti a força do vento
Me arrancando dos arreios,
E aquele bicho parecia
Que ia se rasgar no meio.
Deixei manso e de confiança,
Montaria de patrão,
Pois honro o nome que carrego,
Me orgulho de ser peão.
Tentei levantar no freio,
Mas era tarde demais.
Eu vi uma poeira fina
Formando nuvens para trás.
Berrando, se foi a cerca
E cruzou pro lado de lá —
Parecia uma tormenta
Cruzando em Maçambará.