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Há um eco que mora em mim,
um nome que nunca aprendi.
Metade é calma, metade é fim,
metade é tudo o que perdi.
Fui moldado em promessas gastas,
no som das portas e dos ventos.
Aprendi a rir nas madrugadas,
pra não chorar meus pensamentos.
Fiz da ausência o meu abrigo,
do medo, meu companheiro.
Me tornei estranho comigo,
pra parecer inteiro.
Herdei o silêncio, o olhar distante,
o peso de não me sentir.
Grito pra dentro, minto o bastante,
pra não deixar o vazio emergir.
Sou reflexo do que não se diz,
sou herança do que nunca quis.
Tentei ser luz no espelho gasto,
mas sempre falta direção.
O controle é o meu estandarte,
a dor, minha oração.
Sou casa sem porta, sou cais sem mar,
sou verbo preso no peito.
Tudo o que eu tento libertar
volta em forma de defeito.
Herdei o silêncio, o olhar distante,
o medo de repetir o fim.
Carrego nos ombros o instante
em que o nada falou por mim.
Sou o ruído do que não se diz,
sou herança do que nunca quis.
Há um eco que insiste em voltar,
me chama pelo que já fui.
E eu tento apenas respirar,
entre o que cala e o que destrói.
Se um dia o som cessar,
e a dor enfim dormir…
Talvez o silêncio me abrace,
e eu aprenda a existir.