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FINAL DE TARDE
Na tarde, troveja ao longe, Bate um colins na lenheira, Cantigas da cozinheira
Sovando a massa do pão;
Na cumeeira do galpão
A forneira sai do ninho
E um potro coça o machinho
Movendo a sombra no chão.
No potreiro da cacimba, Sobre pastos"rebolcados" Os carinhos abençoados
Que só as mães sabem ter:
Uma vaca, amor em ser, Lambe uma cria bragada Com a ternura maneada Na luz do entardecer.
O sol vai trocando o pêlo Se fazendo colorado;
O pasto ficou dobrado
Para o lado do poente:
Anoitece lentamente,
As sombras deitam no pasto
Iguais a um sonho de arrasto
Seguindo os passos da gente.
Fecham as flores do campo, A lua acende o lampião
Desmanchando a escuridão
Que a noite trouxe consigo
E um sonho foge do abrigo
Vindo sorver no meu mate;
Rosnando contra um recuerdo
Que há muito mora comigo.
E as almas buenas do campo
Voltam em forma de incenso
Bendizendo o pago imenso Em cada estrela que brilha.
O Pai do céu desencilha
Junto ao fogão dos pequenos
E amanhece em sereno
Para beijar as flechilhas.
A vida segue o seu rumo Com momentos desiguais, O tempo não volta mais
Morre em cada tarde calma, Entre razões escondidas.
Restam lembranças queridas
Que a gente guarda na alma.