Lindeza IIpor Vanessa Daiany, escritora e engenheira químicaEscrevo a punho, em cursivas, palpando as ondulações de cada palavra, porque foi assim que me senti quando as Destaladeiras de Fumo de Arapiraca profetizaram em “Teu Sorriso" - “a tua voz, do silêncio me tirou”: como se eu pudesse tatear cada verso, me desandasse de mim, a partir daí, e fosse apenas tomada. O Lindeza Parte II começa desse jeito, te penetrando aos poucos, completamente embebido em regionalismos, atravessando cada célula, de repente, sem esperar, tudo pulsa, vira movimento, impossível permanecer estático, é um daqueles sacolejos gostosos na alma da gente.Em “Galêga”, um convite irrecusável para esquecer o “apesar de tudo” e transcender nesse soul nordestino de algum lugar entre 1979 e 1980. A sequência das quatro primeiras faixas, destaque para Ciranda Anti-Saudade, que conta com a participação do cantor e compositor alagoano Wado, parecem nos contar, compassadamente, uma dessas histórias de desprendimento genuíno, e porque não dizer desprendimento Januíno, na qual a leveza, a sensação de não pertencimento, se torna, a cada batida, mais envolvente, viciante, e, sem vacilar, cair na malemolência da cumbia elétrica com xaxado de"Perdi La Night"."Chicaliente", demonstrando que sua música remete à toda latinidade da América do Sul, ressalta uma das características que mais me fascinam no Lindeza: A exaltação da mulher livre.E, para terminar, com gosto de quem não quer, de jeito maneira, se despedir, o balanço delícia do"Brega da Obsessão",Quem não precisa de um ciuminho pra fortalecer o amor?